segunda-feira, 25 de junho de 2012
1º aula 2º ano/ 2º grau Revisão/Resumão 1ºbimestre
2º ano/ 2º grau prof Milene
1º aula/ 2º bimestre
Revisão/Resumão 1ºbimestre
(Iluminismo, Revolução francesa, Bloqueio continental e Familia Real no Brasil )
Iluminismo
A revolução intelectual que se efetivou na Europa, especialmente na França, no século XVIII, ficou conhecida como Iluminismo. Esse movimento representou o auge das transformações culturais iniciadas no século XIV pelo movimento renascentista.
O antropocentrismo (teoria que considera o Homem o centro do Universo) e o individualismo renascentistas, ao incentivarem a investigação científica, levaram à gradativa separação entre o campo da fé (religião) e o da razão (ciência), determinando profundas transformações no modo de pensar, sentir e agir do homem.
Colocando em destaque os valores da burguesia, o Iluminismo favoreceu ao aumento dessa camada social. Procurava uma explicação através da razão (ciência) para todas as coisas, rompendo com todas as formas de pensar até então consagradas pela tradição. Rejeitava a submissão cega à autoridade e a crença na visão medieval teocêntrica.
Para os iluministas só através da razão (ciência) o homem poderia alcançar o conhecimento, a convivência harmoniosa em sociedade, a liberdade individual e a felicidade. A razão (ciência) era, portanto, o único guia da sabedoria capaz de esclarecer qualquer problema, possibilitando ao homem a compreensão e o domínio da natureza.
As novas idéias conquistaram numerosos seguidores, a quem pareciam trazer luz e conhecimento. Por isto, os filósofos que as divulgaram foram chamados iluministas; sua maneira de pensar, Iluminismo; e o movimento, Ilustração.
As tendências que marcaram o Iluminismo foram: a valorização do culto da razão e predominância da ciência; crença no aperfeiçoamento do homem e a liberdade política, econômica e religiosa.
A ideologia burguesa
O Iluminismo expressou o aumento da burguesia e de sua ideologia. Foi a culminância de um processo que começou no Renascimento, quando se usou a razão para se descobrir o mundo, e que ganhou aspecto essencialmente crítico no século XVIII, quando os homens passaram a usar a razão (ciência) para entenderem a si mesmos no contexto da sociedade. Tal espírito generalizou-se nos clubes, cafés e salões literários. A filosofia considerava a razão indispensável ao estudo de fenômenos naturais e sociais. Até a crença devia ser racionalizada. Os iluministas eram deístas, isto é, acreditavam que Deus está presente na natureza, portanto no próprio homem, que pode descobri-lo através da razão. Para encontrar Deus, bastaria levar vida piedosa e virtuosa; a Igreja tornava-se dispensável. Os seguidores do iluminismo criticavam-na por sua intolerância, ambição política e inutilidade das ordens monásticas (vinda de monges, autoridades religiosas).
Os iluministas diziam que leis naturais regulavam as relações entre os homens, tal como regulavam os fenômenos da natureza. Consideravam os homens todos bons e iguais; e que as desigualdades seriam provocadas pelos próprios homens, isto é, pela sociedade. Para corrigi-las, achavam necessário mudar a sociedade, dando a todos liberdade de expressão e culto, e proteção contra a escravidão, a injustiça, a opressão e as guerras.
O princípio organizador da sociedade deveria ser a busca da felicidade; ao governo caberia garantir direitos naturais: a liberdade individual e a livre posse de bens; tolerância para a expressão de idéias; igualdade perante a lei; justiça com base na punição dos delitos, conforme defendia o jurista milanês Beccaria. A forma política ideal variava: seria a monarquia inglesa, segundo Montesquieu e Voltaire; ou uma república fundada sobre a moralidade e a virtude cívica, segundo Rousseau.
Principais pensadores do iluminismo
John Locke
1632-1704
Ensaio sobre o entendimento humano
Charles de Secondat Montesquieu
1689-1755
O espírito das leis
Françoise Marie Arouet Voltaire
1694-1778
As criticas ao clero católico
Denis Diderot
1713-1784
A Enciclopédia
Jan-Jacques Rousseau
1712-1778
O contrato social
Podemos dividir os pensadores do iluminismo em dois grupos: os filósofos, que se preocupavam com os problemas políticos; e os economistas, que procuravam uma maneira de aumentar a riqueza das nações. Os principais filósofos franceses foram Montesquieu, Voltaire, Rousseau e Diderot.
Montesquieu - Publicou em 1721 as cartas Persas, em que ridicularizava costumes e instituições. Em 1748, publicou o Espírito das leis, nela estudou as diversas formas de governo – despotismo, monarquia e República - destacava a monarquia inglesa e recomendava, como única maneira de garantir a liberdade, a independência dos três poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário. Defendia o princípio de que as diferentes formas de governo seriam o resultado da situação socio-econômico de cada país, na seguinte ordem: países de grande extensão territorial adotariam O Despotismo: países de tamanho médio, a Monarquia Limitada e países de dimensões pequenas adotariam a República.
Voltaire - Foi o mais importante representante do iluminismo francês. Por fazer duras críticas aos privilégios da nobreza e da igreja e defender as liberdades individuais, Voltaire foi obrigado a se exilar (sair) da Inglaterra. Ajudou a difundir as idéias liberais do filósofo iluminista inglês LOCKE e atacou a igreja com a maior fonte de ignorância e fanatismo que existia. Defensor da tolerância e do respeita às opiniões contrárias, Voltaire detestava a arrogância do estado e da igreja. Suas ironias lhe proporcionaram inúmeros inimigos poderosos, ao que ele respondia. "que Deus me livre dos meus amigos, que dos meus inimigos me livro eu". No seu célebre cândido, um livro pequeno leve e muito divertido, ele resumiu suas principais idéias. Também colaborou na elaboração da enciclopédia. Criticava o absolutismo de direito divino, propondo a participação da burguesia esclarecida no governo, como forma de garantir a paz e a liberdade, tanto política quanto religiosa. Discípulos se espalharam pela Europa e divulgaram suas idéias, especialmente o anticlericalismo (anti – a classe de sacerdotes e ministros cristões).
Rousseau - Teve origem modesta e vida aventureira. Nascido em Genebra, era contrário ao luxo e a vida mundana. Em Discurso Sobre a Origem da Desigualdade Entre os Homens, defendeu a tese da bondade natural dos homens, pervertidos pela civilização. Consagrou toda a sua obra à tese da reforma necessária da sociedade corrompida. Propunha uma vida familiar simples; no plano político uma sociedade baseada na justiça, igualdade e soberania do povo. Como mostra em seu texto mais famoso, O Contrato Social. Sua teoria da vontade geral, referida ao povo foi fundamental na Revolução Francesa e inspirou Rodespierre e outros líderes. Suas principais idéias estão nas obras: Discurso sobre a Origem da Desigualdade entre os Homens (que acusava a propriedade privada de destruir a liberdade social promovendo o despotismo (sistema de governo absolutista), a fraqueza e a corrupção da sociedade. Para ele, "a propriedade introduzia a desigualdade entre os homens, a diferenciação entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a predominância da lei do mais forte.
O homem era corrompido pelo poder e esmagado pela violência) e Contrato Social (afirmava que, para combater a desigualdade introduzida com o aparecimento da propriedade privada, os homens deveriam consentir em fazer um contrato social, pelo qual cada indivíduo concordava em se submeter inteiramente à vontade geral, ou seja, à vontade do "soberano", que era o próprio povo. Portanto, o que prevalecia era a vontade da comunidade e não a vontade individual de cada membro dessa comunidade. Como cada indivíduo se unia a todos e ninguém se unia em particular, o homem continuaria livre, uma vez que todos tinham direitos iguais na comunidade). Para Rousseau o governo era apenas "o ministro do soberano", o agente encarregado de executar a lei. Seu poder poderia ser modificado limitado ou retomado sempre que o povo desejasse. Rousseau destacou-se dos demais filósofos iluministas por valorizar não somente a razão, mas também os sentimentos e as emoções, pregando a volta à natureza e `a simplicidade da vida. Sua teoria iluminista da "vontade geral" inspirou os líderes da Revolução Francesa e do movimento socialista do século XIX.
Diderot - Organizou a Enciclopédia, publicada entre 1751 e 1772, com a ajuda do matemático d’Alembert e da maioria dos pensadores e escritores. Proibida pelo governo por divulgar as novas idéias, a obra passou a circular clandestinamente. Os ecomistas pregaram essencialmente a liberdade econômica e se opunham a toda e qualquer regulamentação. A natureza deveria dirigir a economia; o Estado só intervia para garantir o livre curso da natureza. Eram os fisiocratas, ou partidários da fisiocracia (governo da natureza). Quesnay afirmava que a atividade verdadeiramente produtiva era a agricultura. Gournay propunha total liberdade para as atividades comerciais e industriais, consagrando a frase: "Laissez Faire, laissez passer." (deixe fazer, deixe passar). Os escocês Adam Smith, seu discípulo, escreveu a riqueza das nações (1765), em que defendeu: Nem a agricultura, como queriam os fisiocratas; nem o comércio, como defendiam os mercantilistas; o trabalho era fonte da riqueza. O trabalho livre, sem intervenções, guiado espontaneamente pela natureza.
Despotismo esclarecido
O despotismo esclarecido foi adotado por monarcas europeus os seus primeiros ministros em países economicamente atrasados no século XVIII influenciados pelas idéias do iluminismo procuravam modernizar seus Estados, sem abandonar o poder absoluto. Em parte, sinceramente, tocados pelas novas idéias, mas, principalmente, tentando impedir que descontentamento dos setores conscientes da população, como a burguesia, se generalizassem em revolução. Para atingir seus objetivos, realizaram algumas reformas de caráter social, como a construção de hospitais e asilos e o aumento da divulgação da educação e cultura. Tentaram desenvolver os recursos econômicos de seus países, incentivando o comércio e a indústria.
As reformas realizadas pelos déspotas esclarecidos buscavam conciliar a autoridade absoluta do monarca com as propostas de liberdade dos iluministas, que combatiam os privilégios e o parasitismo da aristocracia e o obscurantismo do clero. Esses monarcas, porém, não foram bem-sucedidos. isso porque queriam forcar o desenvolvimento de seus países, saltando as etapas naturais desse processo. Assim, por exemplo, além de impedir qualquer participação popular, tentavam conduzir uma política econômica sem a participação da burguesia e, portanto, sem capitais para desenvolver a indústria e fazer o país produzir. Ao contrário do que pretendiam os déspotas esclarecidos, seus países não chegaram a se tornar nações modernas, em condições de igualdade com a Inglaterra e a França.
Os principais déspotas esclarecidos foram: Frederico II, rei da Prússia; Catarina II, czarina da Rússia; Marquês de Pombal, ministro de Dom José I de Portugal; e Aranda, ministro de Carlos III da Espanha
Revolução Francesa
A Queda da Bastilha
No dia 14 de julho de 1789 o povo de París saiu às ruas e invadiu a Bastilha, fortaleza que simbolizava o Absolutismo real, libertando seus prisioneiros. Para muitos era o início da Revolução Francesa. Os franceses ainda comemoram a Queda da Bastilha como a data nacional do país.
Segundo a historiografia tradicional, a Queda da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Não há dúvida de que o movimento popular em Paris tenha grande significado, porém a Revolução deve ser vista como um processo, onde é necessário analisar a situação econômica do país, os interesses de classes envolvidos e os interesses dos demais países europeus.
A Bastilha
A Bastilha foi construída em 1370 e tornou-se uma prisão durante o reinado de Carlos VI; no entanto foi durante a Regência do Cardeal Richelieu, no século XVII que tornou-se uma prisão para nobres ou letrados, adversários políticos, aqueles que se opunham ao governo ou mesmo à religião oficial.
No dia 14 de julho a Bastilha abrigava apenas 7 prisioneiros, no entanto a multidão invadiu-a tanto por representar um símbolo do absolutismo, como para tomar as armas que haviam em seu interior.
A revolução
A importância da Queda da Bastilha reside no fato de que a partir desse momento a revolução conta com a presença das massas trabalhadoras, deixando de ser apenas um movimento onde deputados julgavam que poderiam eliminar o Antigo Regime apenas fazendo novas leis.
A gravidade da crise econômica havia envolvido todo o país em uma situação caótica: os privilégios dados à nobreza e ao Alto Clero dilapidaram as finanças do país, situação ainda mais agravada com a participação da França na Guerra de Independência dos EUA em ajuda aos colonos e pelas secas, responsáveis por uma crise agrária, que levava os camponeses a miséria extrema e determinava o desabastecimento das cidades assim como a retração do comércio interno.
O Rei Luís XVI
Na medida em que a nobreza recusou-se a abrir mão de seus privilégios, o rei Luís XVI viu-se forçado a convocar a Assembléia dos Estados Gerais, que reuniria os representantes da Nobreza, do Clero e do Povo ( burgueses). As manobras políticas da realeza tinham por objetivo fazer aprovar nova legislação, que preservaria os privilégios do 1° e 2° estados e ao mesmo tempo sobrecarregariam o 3° estado.
Reunião da Assembléia Nacional
Em17 de junho os representantes do povo se auto proclamam Assembléia Nacional. Esse fato representa de um lado o grau de organização e a consciência da burguesia, ancorada pelos ideais do Iluminismo, e ao mesmo tempo nos dá idéia de qual era a perspectiva de Revolução para essa classe social, eliminar o Antigo Regime, através de uma reforma na legislação, forçando o rei a aceitar o organização de um poder legislativo responsável pela elaboração das leis.
Enquanto os deputados se reuniam na Assembléia, o rei reunia tropas na tentativa de evitar o movimento revolucionário, foi nesse contexto que formou-se a "Milícia de Paris" e no dia seguinte as ruas e a Bastilha eram do povo.
O movimento revolucionário saia às ruas; percebia-se que somente com a participação e o apoio popular poderiam haver mudanças significativas. Apesar de organizada e armada, a camada popular urbana defendia a manutenção da Assembléia Constituinte e portanto acreditava que as novas leis poderiam trazer uma mudança significativa.
A rebelião camponesa no interior
Ao contrário, no campo, a situação era de marcada por grande radicalização caracterizada por invasões de propriedades senhoriais, onde muitos nobres foram executados, cartórios invadidos, onde os títulos de propriedade feudal eram queimados. Os camponeses não possuíam uma ideologia definida e nem um projeto acabado, porém o movimento – Grande Medo – refletia a situação de profunda miséria vivida no campo.
Ao fugir do controle da burguesia, o movimento camponês foi responsável por uma das primeiras mudanças significativas da Revolução: a 26 de agosto foi aprovada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de inspiração do iluminismo, defendia o direito a liberdade, à igualdade perante a lei, a inviolabilidade da propriedade privada e o direito de resistir à opressão.
Conclusão
Concluímos, com esse trabalho, o quanto os pensadores iluministas se empregam em suas ideologias e publicações. E as conseqüências que o Iluminismo acabou deixando, como por exemplo, o aparecimento do despotismo esclarecido em vários países na Europa. Enquanto a Burguesia, os Iluministas acreditavam que Deus está presente na natureza, e que pode descobri-lo através da razão, então, ai está o princípio do Iluminismo e dos nossos pensamentos. Para nós fica este exemplo de lutarmos por aquilo que achamos corretos (nossas opiniões), e não ficar calado aceitando tudo que ocorre.
No início do século XIX Napoleão Bonaparte era imperador da França. Ele queria conquistar toda a Europa e para tanto derrotou os exércitos de vários países. Mas não conseguiu vencer a marinha inglesa.
Para enfrentar a Inglaterra, Napoleão proibiu todos os países europeus de comercializar com os inglês. Foi o chamado Bloqueio Continental.
Bloqueio Continental
Decidido a minar as bases do poderio britânico, que se assentava sobre um comércio marítimo organizado, Napoleão optou pelo estrangulamento econômico da Inglaterra, através do Bloqueio Continental, decretado em Berlim, em 1806. Com essa medida, o imperador dos franceses entravava todo o comércio inglês no Continente, conforme prescreviam alguns de seus artigos:
"1) As Ilhas Britânicas estão declaradas em estado de bloqueio;
2) Todo o comércio e toda a correspondência com as Ilhas Britânicas estão proibidos; (...);
7) Nenhuma embarcação vinda diretamente da Inglaterra ou das colônias inglesas (...) será recebida em porto algum".
O Bloqueio Continental, embora tenha lesado o comércio britânico, que já vinha sofrendo os abalos decorrentes do estado de guerra, afetou também a economia de diversos países europeus devido a sua dependência em relação ao comércio britânico. Os Países Baixos e os Estados da Igreja recusaram-se a acatar as decisões de Napoleão. Mas este mandou invadi-los e ocupá-los militarmente, incorporando-os à força em seu esquema anti-britânico.
Nessa época, Portugal era governado pelo príncipe regente Dom João. Como Portugal era um antigo aliado da Inglaterra, Dom João ficou numa situação muito difícil: se fizesse o que Napoleão queria, os ingleses invadiriam o Brasil, pois estavam muito interessados no comércio brasileiro; se não o fizesse, os franceses invadiriam Portugal.
A solução que Dom João encontrou, com a ajuda dos aliados ingleses, foi transferir a corte portuguesa para o Brasil.
Em novembro de 1807 Dom João com toda a sua família e sua corte partiram para o Brasil sob a escolta da esquadra inglesa. 15 mil pessoas vieram para o Brasil em quatorze navios trazendo suas riquezas, documentos, bibliotecas, coleções de arte e tudo que poderam trazer.
Quando o exército de Napoleão chegou em Lisboa, só encontrou um reino abandonado e pobre.
A Familia Real no Brasil
O príncipe regente desembarcou em Salvador em 22 de janeiro de 1808. Ainda em Salvador Dom João abriu os portos do Brasil aos países amigos, permitindo que navios estrangeiros comerciassem livremente nos portos brasileiros.
Essa medida foi de grande importância para a economia brasileira.
De Salvador, a comitiva partiu para o Rio de Janeiro, onde chegou em 08 de março de 1808. O Rio de Janeiro tornou-se a sede da corte Portuguesa.
Beneficios externos para o brasil-externo
A economia portuguesa havia muito encontrava-se subordinada à inglesa. Daí à relutância de Portugal em aderir incondicionalmente ao bloqueio. Napoleão resolveu o impasse ordenado a invasão do pequeno reino ibérico. Sem chances de resistir ao ataque, a família real transferiu-se para o Brasil em 1808, sob proteção inglesa. Começou então, no Brasil, o processo que iria desembocar, finalmente, na sua emancipação política.
Sem poder responder negativa ou positivamente ao ultramatum francês por ocasião do Bloqueio Continental, a situação de Portugal refletia com toda a clareza a impossibilidade de manter o status quo 2. Pressionada por Napoleão, mas incapaz de lhe opor resistência britânica, a Corte portuguesa estava hesitante. Qualquer opção significaria, no mínimo, o desmoronamento do sistema colonial ou do que ele ainda restava. A própria soberania encontrava-se ameaçada, sem que fosse possível vislumbrar uma solução aceitável. Nesse contexto, destacou-se o papel desempenhado por Strangford, que, como representante diplomático inglês, soube impor, sem vacilação, o ponto de vista da Coroa britânica.
Para corte de Lisboa colocou-se a seguinte situação: permanecer em Portugal e sucumbir ao domínio napoleônico ou retirar-se para o Brasil. Esta última foi a solução defendida pela Inglaterra.
Beneficios para o Brasil-Interno
Cultura
Além das mudanças comerciais, a chegada da família real ao Brasil também causou um reboliço cultural e educacional. Nessa época, foram criadas escolas como a Academia Real Militar, a Academia da Marinha, a Escola de Comércio, a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, a Academia de belas-artes e dois Colégios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador. Foram fundados o Museu Nacional, o Observatório Astronômico e a Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos livros e documentos trazidos de Portugal. Também foi inaugurado o Real Teatro de São João e o Jardim Botânico. Uma atitude muito importante de dom João foi a criação da Imprensa Régia. Ela editou obras de vários escritores e traduções de obras científicas. Foi um período de grande progresso e desenvolvimento.
O Teatro de São João inaugurado em 1818. 1º número de A Gazeta do Rio de Janeiro.
Política
Com a instalação da corte no Brasil, o Rio de Janeiro tornou-se a sede do império português e Dom João teve de organizar toda a administração brasileira.
Criou três ministérios: o da Guerra e Estrangeiros, o da Marinha e o da Fazenda e Interior; instalou também os serviços auxiliares e indispensáveis ao funcionamento do governo, entre os quais o Banco do Brasil, a Casa da Moeda, a Junta Geral do Comércio e a Casa da Suplicação ( Supremo Tribunal).
A 17 de dezembro de 1815 o Brasil foi elevado a reino e as capitanias passaram em 1821 a chamar-se províncias.
Em 1818 com a morte da rainha D. Maria I, a quem Dom João substituía, deu-se no Rio de Janeiro a proclamação e a coroação do Príncipe Regente, que recebeu o título de Dom João VI. A aclamação de D. João VI deu-se nos salões do Teatro de São João.
Economia
Depois da chegada da família real duas medidas de Dom João deram rápido impulso à economia brasileira: a abertura dos portos e a permissão de montar indústrias que haviam sido proibidas por Portugal anteriormente.
Abriram –se fábricas, manufaturas de tecidos começaram a surgir, mas não progrediram por causa da concorrência dos tecidos ingleses.
Bom resultado teve, porém, a produção de ferro com a criação da Usina de Ipanema nas províncias de São Paulo e Minas Gerais.
Outras medidas de Dom João estimularam as atividades econômicas do Brasil como:
Construção de estradas;
Os portos foram melhorados. Foram introduzidos no país novas espécies vegetais, como o chá;
Promoveu a vinda de colonos europeus.
A produção agrícola voltou a crescer. O açúcar e do algodão, passaram a ser primeiro e segundo lugar nas exportações, no início do século XIX. Neste período surgiu o café, novo produto, que logo passou do terceiro lugar para o primeiro lugar nas exportações brasileira.
Usina de ferro de Ipanema.
As Vantagens para o Rio de Janeiro com vinda da familia real
No Rio de Janeiro a corte tratou de reorganizar o Estado, com a nomeação dos ministros. Assim, foram sendo recriados todos os órgãos do Estado português: os ministérios do Reino, da Marinha e Ultramar, da Guerra e Estrangeiros e o Real Erário, que, em 1821, mudou o nome para Ministério da Fazenda. Também foram recriados os órgãos da administração e da justiça: Conselho de Estado, Desembargo do Paço, Meda da Consciência e Ordens, Conselho Supremo Militar.
Dessa maneira, peça por peça, o Estado português renasceu no Brasil.
Durante o período que D. João permaneceu no Brasil, foram tomadas algumas medidas, que trouxeram progresso para o país.
Foram criados, nesse período:
o Banco do Brasil em 12 de outubro de 1808, para servir de instrumento financeiro do Tesouro Real, embora a sua finalidade declarada fosse a de atuar como instituição creditícia dos setores produtivos - comércio, indústria e agricultura;
a Academia de Belas-Artes;
a Casa da Moeda;
a fábrica de pólvora;
o arsenal da Marinha.
Deu-se também a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido a Portugal e Algarve, em 1815.
Com isso as capitanias passaram a se denominar províncias.
Apesar do progresso que houve com a vinda da família real, a administração de D. João VI não melhorou a vida dos colonos. A corte gastava muito, foram criados cargos inúteis para empregar fidalgos ( "filhos de algo") portugueses, e o governo começou a cobrar impostos.
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